4 de fev de 2010

Dia de caças & business is business

01. O presideus Lula decidiu e seu discípulo aqui na Terra obedeceu: o Brasil vai comprar aviões da França. Os franceses reduziram a oferta inicial de R$ 15,1 bilhões por 36 caças Rafale para módicos R$ 11,4 bilhões.

Perguntar não ofende: qual é o negócio sério que pode, assim da noite para o dia, dar uma "abatimento" de R$ 3,7 bilhões?!? Uma transação dessas só pode ser realizada entre um espertalhão e um paspalhão. É um típico exemplar do velho conto do pacote. O Brasil está ganhando, a França está perdendo, ou nenhum nem outro, muito pelo contrário. Conversando, eles se entenderam. Isso já foi há muito tempo, mais de ano...

O recado explícito e indecoroso dessa "negociação" para a democracia brasileira é que o País, no mar, na terra, no céu, tem um amo e senhor; tem um dono que tudo pode se tudo quiser.
Ao escolher os caças do amigo Sarkozy, mestre Lula desmontou a história da FAB que, por critérios técnicos, de qualidade e de preço, classificara numa lista tríplice os aparelhos franceses em último lugar.

A primeira recomendação da FAB foi para o caça sueco Gripen e a segunda o F-18 dos Estados Unidos. Ninguém se admire se, em caso de guerra, os vôos dos caças Rafale sejam comandados pelos motoristas do Palácio do Planalto.

02. Encomende à coalizão CNT/Sensus uma pesquisa de opinião com a torcida do Flamengo perguntando qual é o clube mais querido do Brasil. Se der Corinthians, acredite.

03. Você contrataria uma babá que foi filmada no emprego anterior escondendo dinheiro na bolsa, ou nas meias? É bem provável que sim. Assim como você esqueceu de Zelaya armazenado na Estalagem do Brasil Da Silva em Tegucigalpa; como não se importa com as vigarices na PTrobras, a gandaia das ONGs, o deboche do MST e já nem se escandaliza com Sarney presidindo o Senado, também não verá nada demais no escândalo dos panetones de Arruda e seus propineiros.

04. Se a deputada Eurides Brito tivesse esquecido a bolsa, provavelmente guardaria o dinheiro embaixo da saia. Aí o vídeo não seria pornô; seria de terror.

05. Presideus Lula, em pleno delírio: "Vamos inaugurar tanta obra que eles vão ficar doidos". Trata-se, evidentemente, de mais um roteiro intensivo de viagens do nada para lugar nenhum. Puro factóide. A única obra de sucesso no governo Lula deve ser uma enorme fábrica de papel. É onde todas as outras estão desde que o PAC foi lançado há mais de dois anos.

06. Então, a Justiça do DF negou pedido para retorno dos panetoneiros de Arruda à Câmara Legislativa brasiliense. O novo presidente da notável casa de tolerância já disse que não se conforma e vai recorrer ao Supremo. Não expolicou se é o Tribunal ou o Criador do universo.

07. Enquanto isso a OAB entra amanhã na Justiça Federal com o pedido de bloqueio dos bens do distribuidor de panetones, Zé Roberto Arruda e também dos propineiros enfiados até o pescoço na gandaia do governo do Distrito Federal.

O pedido é resultado da reunião que Francisco Caputo, presidente da OAB/DF teve com o novo presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcanti.

Ophir foi ágil e direto: - Vem Caputo! Vamos bloquear os bens desses envolvidos para que eles possam ressarcir os cofres públicos. Vem Caputo, vem: "É no bolso que vamos procurar determinar que os corruptos devolvam aquilo que retiraram da sociedade".

Foi o que ele disse, mas a procura deve ser bem mais ampla. É preciso vasculhar os bolsos, as bolsas, as cuecas, as meias.

08. Lula diz que preço não foi fator predominante para a escolha que ele e seu apóstolo Nelson Jobim das Selvas fizeram pelos caças franceses Rafale. Choveu no molhado. Todo mundo já sabia dessa irrelevância. Tanto é que os dois mais baratos foram relegados. Essa coisa de pagar quase o dobro se justifica: os caças franceses despencam de dois em dois. Mas é bem como se conformaram os americanos da Boeing: - Business is business.