12 de fev de 2010

ARRUDA COLHE O QUE RORIZ PLANTOU


01. A vida como ela é na Corte: Arruda é uma planta ornamental da era Joaquim Roriz. Para plantar-se no Palácio Buriti, foi regada pelo próprio jardineiro mor da sede do governo brasiliense. O pé de Arruda no poder precisou do adubo marca Durval fornecido por Roriz que, naqueles bons tempos, já se voltava para a criação de bezerros de ouro. Quando da recente tentativa de solidificar a Operação O Bom Filho à Casa Torna, Joaquim Roriz percebeu que as raízes de Arruda infestavam todos os caminhos. O plantador incomodado jogou adubo na pá do ventilador. E deu nisso que deu. Arruda colhe o que Roriz plantou.

02. Essa prisão de Arruda colocou em alerta o departamento médico do Palácio do Planalto. É a síndrome do pânico: a moda pode pegar. Deve vir por aí uma marolinha hipertensiva.

03. Arruda passou a noite na "sala da diretoria" da Polícia Federal, em Brasília. Respaldado pelo pedido do presideus Lula para que a PF o "tratasse bem e com respeito", ele levou para o ambiente carcerário o seu jeito de viver a vida: pediu pizza para jantar. Em deferência ao pedido presidencial, não trocaram a pizza por panetone.

04. Os federais garantem que na sala em que Arruda pernoitou há apenas um sofá. Taí, é o mais puro estilo Zelaya. Só falta o Rei do Panetone aparecer de chapelão e cantar "El Sombrero". O perigo é que toda essa história de traição se resolva com Arruda tirando o sofá da sala.

05. Alberto Fraga, do DEM, ainda secretário de Transportes do governo Arruda, esteve ontem com o chefe na "sala da diretoria". Ao sair, não disse à imprensa se vai obedecer à determinação do seu partido de entregar o cargo que ocupa, mas contou que o governador está "calmo e sereno". E ainda proselitou que o prisioneiro não admitia ter sofrido uma derrota política: "Não foi uma derrota. Foi um constrangimento". Pelo visto, aquele vídeo que protagonizou recebendo R$ 50 mil do delator premiado Durval Barbosa, não foi constrangimento. Foi só divertimento. Coisinha de cinema inocente, água com açúcar.

06. Na carta em que pediu à Câmara do DF afastamento do governo, o despartidado Zé Beto Arruda se diz vítima de uma "campanha insidiosa" que, para ele, tem o objetivo de destruí-lo política e pessoalmente: "Diante da gravidade dos fatos, peço licença do cargo de governador do Distrito Federal pelo que perdurar esta medida coercitiva, para não transferir a Brasília e à sua população a agressão que fazem contra mim e ao cargo que legitimamente exerço, eleito que fui pelo voto popular". Mais uma vez, o documento só vale pelo que essa democracia Da Silva nos ensina uma vez mais: o voto é a arma do povo virada contra o próprio povo. Dá legitimidade a essa laia de "pessoas não comuns" que o presideus julga intocáveis.

07. E a carta diz mais ainda: "...Diante da gravidade dos fatos, peço licença do cargo de Governador do Distrito Federal pelo que perdurar esta medida coercitiva, para não transferir a Brasília e à sua população a agressão que fazem contra mim e ao cargo que legitimamente exerço, eleito que fui pelo voto popular. Essa é boa: "diante da gravidade dos fatos"... Então os fatos são graves? Então os fatos são fatos? E então, por que esperou tanto para pedir licença?!?

08. E Arruda saiu atirando: "Estou consciente de que desarmei uma quadrilha que se locupletava de dinheiro público há muitos anos, e que agora volta-se contra mim de maneira torpe para confundir a opinião pública, confundir as autoridades e tramar a minha saída do Executivo, como se isso tivesse o poder de esconder as falcatruas que durante tantos anos praticaram impunemente".

09. Desarmar uma quadrilha não é mais do que obrigação. Não basta desarmar; precisa acabar. E é proibido, ilegal, não presta e engorda montar outra em seu lugar. A gente sabe agora que algum dia, um certo alguém irá demonstrar isso para Lula.