12 de fev de 2010

I LA NAVE VA

Esse paradouro tipo assim motel de luxo em que Arruda passou a noite e curtiu essa insônia inesperada não chegou a ser de todo um desperdício diante dos olhos dos homens de bem.

Serviu como um sinal de que a corrupção pode levar um bom puxão de orelhas nesse Brasil Da Silva. Mas não é muito mais que isso. Logo Arruda estará gozando o alcandorado sol da liberdade, trocando a pizza dessa noite mal-dormida para voltar aos seus panetones, abraços e queijos.

Tudo servirá mais ou menos assim como um salvo-conduto a ser acrescido ao seu notável currículo político-criminal. Na próxima, tomará os cuidados necessários - contidos na cartilha dos governos que sofremos - e se desmanchará em prantos ramelosos nesse inesgotável vale lágrimas. De alegria, caros crocodilos.

I la nave va. A máfia vai continuar instalada à margem das urnas, orientando como os homens de bem devem votar em quem é do mal. Não há, no Brasil Da Silva, como depurar o voto. Os ventos contrários são muito fortes.

Os candidatos nascem nos covís partidários, nas grutas e nas grotas dos conluios dessas siglas de cascas grossas inatingíveis pelo eleitor, blindadas contra a verdadeira aspiração popular.

São paridos ali. Uns filhos dessa e daquela mãe disso e daquilo que embala a curriola que, sem vergonha, vive de chupar o leitinho que tiram das nossas crianças.

E querem que o brasileiro vote bem?!? Votar, até que ele vota. Isso é obrigação. Isso não é direito! O brasileiro vota sempre, invariavelmente, entre o mau e o ruim. Às vezes, consegue evitar o péssimo. Não basta.

Essa pandilha de sevandijas que se coaliza em partidos fez do voto o lado ruim da democracia. A esperança não está nas urnas. Elas só legitimam o ilegítimo, consagram o crime político organizado, a canalhice oficial e a imoralidade explícita.

A esperança está na expectativa de que, a partir dessa prisão para Arruda e seus panetoneiros, as grades sejam a grande cadeia, o grande efeito dominó que pode, quem sabe, ser um brado de "abre-te Sésamo!" às portas dos melhores presídios para todos os Dirceus e seus 40 Mensaleiros.
A esperança está no mais puro desejo de que a breve e branda prisão de Arruda seja o alerta que possa afinal fazer respeitar o preceito constitucional que diz que somos todos iguais perante a lei e que por isso mesmo todo o poder emanará do povo e em seu nome será exercido.