15 de set de 2010

Está faltando Robin Hood

A DIFERENÇA
"Quando a lei é usada para iludir o povo, o fora da lei assume o seu papel na História". Isso aconteceu com a Inglaterra na virada do século XII. O Brasil do século XXI vai indo bem assim. A diferença é que, no ano 1.200 dessa era cristã, apareceu por lá o Robin Hood.

COMME D'HABITUDE
A apóstola Erenice Guerra, depois de confessar-se com o presideus, passa da defesa para o ataque. Vai processar a alvejante revista Veja e, desde já, bota a culpa em Zé Serra a quem chama de "aético" e "derrotado". É como se ela - e não Dilma - fosse a candidata de Lula ao Palácio e como se Zé Serra é que tivesse usado laranjas para abrir empresas para o filho.

DAY AFTER
Curioso como esse governo é diligente e rápido, assim que "descobre" através da imprensa que há corrupção, esperteza, desvios de verbas, tráfico de influência, roubos e rombos à la gaita dentro do próprio governo. Em seguida, acusados chamam os arapongas de sua confiança e mandam "ter calma e apurar" tudo, tintim por tintim, "duela a quien duela". Enquanto não é alvejado por uma Veja, o governo deixa o barco correr.

CHAMA O LADRÃO
Abrir as contas bancárias, os telefones, os segredos fiscais e coisas que só deixam rastro para quem é trouxa, não vale nada. Tratando-se de quem se trata, sabe-se que não deixam impressões digitais em nada, não usam selos dos Correios, nem carimbo posta, muito menos se deixam filmar sorrindo. Falta mandar abrir o sigilo do cartão corporativo. Mas ninguém no governo tá falando nisso.

Quem deixa pista é laranja. Chamar o Ministério Público para cuidar disso, ninguém chama. Se duvidarem, acabam contratando o Chico Buarque para chamar o ladrão, do seu antigo sucesso "acorda, amor!". Pode ser que ele já venha com a viatura e tudo mais. Tomara que não venha para aplaudir.

A FALTA QUE FAZ
Nesse episódio - uma velha reprise - que bota Erenice Guerra como chefe de Israel, seu filho, em firmas que tem laranja para dar e vender, está faltando apenas uma voz que se levante tonitruante pedindo "Sai daí, Erenice... Sai daí da Casa Civil, senão você vai derrubar o presidente!"... Que falta os demos e tucanos estão sentindo de um Roberto Jefferson nessa campanha. É o Robin Hood que Zé Serra está precisando.

TRATAMENTO DE CHOQUE
Só trouxa não vê que o governo tá nem aí para descobrir a verdade dos fatos e punir a bandidagem infiltrada no Palácio do Planalto que abriga a Casa Civil e seus habitantes. Essa imediata convocação da Comissão de Étitica do próprio governo para "apurar" o mais rapidamente possível a corrupção, o tráfico de influência, a criação de empresas de intermediação ao custo de uma comissão de pelo menos 6% de êxito, não passa de uma clara demonstração de que Lula não quer mesmo saber de nada. Nada que não seja um tratamento de choque como blindagem ao seu poste predileto.

ENTÃO TÁ!
Erenice Guerra já chamou Zé Serra de "aético" e "derrotado". Pronto, o caso de corrupção, quebra de sigilo fiscal dos outros, tráfico de influência, dossiês e bancos de dados, está resolvido. E não se fala mais nisso.

EXCESSO DE LIBERDADE
Fazendo palestra para sindicalistas do setor petroleiro, na Bahia, Zé Dirceu - ex-patrão da Casa Civil e hoje um folgado Vavá de Luxo do governo, revelou ontem o seu lado alfaiate e, de tesoura em punho, bramiu contra o que chamou de "excesso de liberdade da imprensa". Claro que defendia a sucessora de sua sucessora na Casa Civil que já foi sua e que fica nos cômodos de cima do gabinete do presideus.

GRANDE EXEMPLO
É bom lembrar que, para "excessos de liberdade de imprensa" há o Código Penal brasileiro. Não há qualquer necessidade de um organismo de "controle social das comunicações" - como planejam os contadores da História Oficial do governo. Quanto ao "excesso de liberdade", não há maior nem pior exemplo do que ele próprio, Zé Dirceu - réu no Superior Tribunal Federal sob acusação de ser o "chefe da quadrilha de mensaleiros" - até hoje livre, leve e solto. E mais ainda: bem à vontade para mandar e desmandar nos subterrâneos da vida política brasileira. Nuncanahistoriadessepaís o submundo esteve tão à tona.

BARRACO DE BARZINHO
Em matéria de desaforo, a oposição pode dizer o que quiser, jamais baterá o governo nessa arte. Só o povo brasileiro é insuperável nessa especialidade. Outro dia, a diretoria do Sanatório da Notícia estava num bar, cercado de tulipas de colarinho maduro e porções mistas de pastéizinhos fritinhos na hora, quando foi armado um barraco na mesa ao lado. Um passou a ofender o outro:
- Seu biltre, pulha, mequetrefe!... - tomou fôlego e continuou - Seu bandalho, calhorda, rufião, cretino, traíra, patifão...
- Pior é você, seu... Seu... Seu chefe dos mensaleiros!!!
Era troca de flâmulas entre dois companheiros de boteco que, naquele início de noite, não passariam no mais simples, no mais reles teste de bafômetro. Mas, todo mundo na volta, riu de verdade. Os dois voltaram às boas e trocaram de assunto. Barzinho é pra isso mesmo. Quanto menos política, melhor.

CARAS BONS
Para Rodrigo Maia, presidente do DEM, Lula odeia o partido por sua atuação oposicionista no Senado. Referindo-se à recente declaração irada de Lula, em Santa Catarina - brabo porque Ideli Salvatti ocupa um melancólico terceiro lugar na fila eleitoral - Maia disse que "a declaração de Lula lembra perseguição nazista aos judeus". De fato, lembra mesmo. É aquela história já batida aqui no Liberdade de Expressão: Lula, como Adolf, é um cara bom. Só não gosta de ser contrariado. Resta saber quem é a sua Eva Braun.