22 de mai de 2010

Pérolas e Fábulas Dominicais

O TRUNFO - Na falta de um bom escândalo neste final de primeiro semestre, as multas tem sido o grande trunfo da campanha de Lula para as eleições de outubro. O Datafolha está aí para comprovar: Dilma subiu 7 pontos percentuais no conceito dos eleitores. A oposição já pensa em, de uma vez por todas, com essa mania de encaminhar denúncias ao TSE.

AGOSTO & DESGOSTO - Dia 17 de agosto começa o desgosto: horário político gratuito na TV. Mas, se você tirar o som da televisão, você vai conhecer o Brasil que tanto queria visitar um dia. É a maior campanha eletrônica que as agências de turismo ganham de quem não sabe o que fazer com o país.

O PRATO - O rancor de Lula com as grandes potências mundiais que tripudiaram sobre o papel de bobo que ele assinou enquanto induzia o primeiro-ministro turco a meter o jamegão também, lá em Teerã, não é suficiente para interromper a negociação daquela compra belicista de helicópteros, submarinos e caças franceses. Um negocinho assim de U$ 22 bilhões não se bota fora num acesso de raiva e nem porque o chute no orgulho foi dolorido. Mas o presideus avisa: ninguém perde por esperar. A caça ao Nobel é um prato que se come frio.

BANCO DE RESERVA - O TSE informa: sai Lula de campo e entra a TV no ar. O jogo vai ser decidido no placar eletrônico. Quando a torcida não consegue entender o que se passa no gramado, o telão tira a teima.

BRASILEIRO PAGÃO - O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário publicou dados comprovando que o brasileiro trabalha 148 dias por ano só para pagar impostos. Então, só a partir do dia 29, sábado da próxima semana é que você vai começar a trabalhar para você mesmo e sua família. Se você não é um dos ociosos do bolsa-famiglia pode indignar-se à vontade que isso não vai adiantar nada. Você já pagou o salário dos portadores de carteirinha que o governo terceirizou nos cargos públicos, sem qualquer concurso, sem qualificação e sem nenhuma cerimônia.

Em Nova York, Dilma se irrita e "demite" tradutora

O relato é da repórter Ana Flor
Enviada especial da Folha Online a Nova York

Problemas com uma tradutora na coletiva de imprensa irritaram nesta sexta-feira a pré-candidata petista em Nova York. Dilma Rousseff chegou a chamar a tradutora de "minha santa".
Dilma, que preferiu falar em português, chegou a elogiar o primeiro tradutor. A partir da metade da entrevista, a tradução ficou por conta da angolana Marísia Lauré.
Perguntada sobre o delicado tema da autonomia do Banco Central, Dilma falou da "autonomia operacional" do órgão. Lauré esqueceu uma das palavras e Dilma completou, em inglês: "operational autonomy". Em seguida, repreendeu a tradutora. "Eu peço para você traduzir literalmente, porque é complicado [o tema]".
Dilma passou a falar sobre privatizações e as empresas que acredita que deviam permanecer públicas, como Petrobras, Eletrobras, as do setor elétrico e bancos públicos. A tradutora esperou que a convidada concluísse a frase para traduzir. Ao final, Dilma conferiu com a platéia: "Não faltou [o trecho] da Petrobrás?".
Na frase seguinte, Dilma ouviu o início da tradução e, achando que havia mais um erro, interrompeu Lauré. "No, no, no... Yes, yes, yes", emendou, ao se dar conta de que a frase traduzida estava correta e arrancando risos da platéia.
"Eu prefiro que você copie e faça [a tradução depois] porque se não eu vou quebrar meu raciocínio todo, tá bom?", pediu Dilma à tradutora.
Na pergunta seguinte, Lauré trocou "redução da dívida" por "redução de impostos". Dilma a interrompeu novamente. "Copia, minha santa, eu vou falar". Nesse momento, a organização trouxe de volta o tradutor anterior.
Ao final da coletiva, Lauré e Dilma se abraçaram. A tradutora pediu desculpas e atribuiu o engano ao excesso de trabalho. "Você trabalha muito bem", disse Dilma.

RODAPÉ - Quem nasceu mineira, se fez gaúcha por opção, nordestina de coração e paulista por eleição, jamais será poliglota por vocação. E pra cachorro que come ovelha não adianta bancar o lobo em pele de cordeiro. Dilma é só uma postulante à cadeira de presidente da República; imagine o que faria se já estivesse lá.