17 de mai de 2010

O PAPEL NO IRÃ

Foto: R. Stuckert/PR
Sabe aquela velha cena na mesa de bar em que o amigo, já na terceira dose tripla diz para o amigo que está três doses acima do nível do mar, "olha a tua mulher anda te traindo..." e o parceiro mansamente, toma mais um gole e responde "acho que vai chover amanhã..."?!? Pois assim são esses acordos anunciados por "pessoas não comuns" pelo mundo afora.

Para não deixar cair a peteca de presideus mundial, o Cara mandou o seu Sargento Garcia espalhar aos quatro ventos que, diante de jornalistas e sem qualquer azia, foi firmado acordo entre Brasil, Turquia e Irã. Tudo que sai na base do top-top é sujeito a controvérsias. Acredite, se quiser.

Pelo documento, com o chamegão de Lula, Mahmoud e do primeiro ministro turco Recep Erdogan, o Irã concordou em enviar urânio para ser enriquecido no exterior. O exterior, no caso, é a Turquia. Os pacifistas chefes iranianos prometem enviar uma tonelada e mais 200 kg de urânio pobre para lá, recebendo em troca combustível para um reator nuclear que se prestará a pesquisas médicas em Teerã.

O acordo quase bate com a proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, órgão da ONU)que, desde o ano passado, previa o enriquecimento do urânio de Ahmadinejad e seus aiatolados em outro país, dentro de níveis que possibilitem seu uso civil e não militar. Quase bate, pelo simples fato de que 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento não é tudo o que o Irã tem desse vil metal. E nesses casos, o Vasco é o Vasco; o resto é o resto.

O PAC do Urânio tem a pretensão de acalmar os ânimos lá no Conselho de Segurança e diminuir a pressão dos Estados Unidos que ameaçam com sanções o País dos Aiatolás.

Quem quiser saber um pouco mais a respeito desse honorável encontro internacional que pergunte a Israel o que pensa sobre tudo isso. Observadores israelenses juram que o Irã está "manipulando" o Brasil e a Turquia - que acabam de assinar aquilo que chamam papel de bobo.

Pero no mucho... Amanhã ou depois, o papelucho vira currículo nas mãos de Lula para o alvejado prêmio Nobel de pacificador universal.