10 de jul de 2010

Pau, Cobras e Lagartos

Nem a marca registrada de pé-frio deixa Lula Da Silva, aquele que agora diz que se chama Dilma, tão possesso e mal-humorado do que a serenidade de Zé Serra quando se diz mais aliado e mais velho companheiro de Lula do que a própria Dilma.


Outra coisa que o deixa tiririca da vida é a paternidade do Bolsa-Famiglia. E o pior de tudo é que Serra mata a cobra e mostra o pau.

Nesta sua breve visita ao Brasil, depois do passeio pela África, Lula planeja desmontar essa aproximação incômoda. Deve ter dois planos diferentes de desmonte: um que garanta simpatia para sua postulante predileta; outro que seja pra valer, com toda a virulência de sua estratégia de combate.

O pau que mata a cobra - prova explícita de que o Bolsa Famíglia tem as cores dos tucanos - está na legislação que instituiu o programa: lei número 10.836, de 2004.

O pau que Lula não aguenta está no parágrafo único do artigo 1º da lei. É bem ali que estão relacionados os programas unificados sob o novel título de Bolsa Famíglia.

E Zé Serra, sem medo de cometer qualquer tipo de atentado ao pudor, continua mostrando o pau que mata a cobra:

Bolsa Escola, criado em abril de 2001, por Fernando Henrique Cardoso; Programa Nacional de Acesso à Alimentação, de junho de 2003, obra de Lula; Bolsa Alimentação, de setembro de 2001, coisa de Fernando henrique Cardoso; Auxílio-gás, de janeiro de 2002, lançado por Fernando Henrique Cardoso; Cadastramento único do governo federal, de julho de 2001, mais uma atração de Fernando Henrique Cardoso.

Se você se antenar direitinho nesse rol de roupa para descamisados e pés descalços, vai perceber que, das cinco iniciativas mencionadas na lei do Bolsa Família, apenas uma é criação do governo Lula; as outras quatro são de FHC.

É contra esse pau que Zé Serra adora mostrar que Lula - o Cara que se chama Dilma, vai reagir a partir de agora com cobras e lagartos.