27 de mar. de 2010

Anéis de Barbante para Nardoni e Jatobá

Confirmada pelo Tribunal de Santana, em São Paulo, a condenação da dupla Nardoni/Jatobá antecipada há mais de uma semana e reafirmada na manhã de ontem pelo Liberdade de Expressão e pelo Sanatório da Notícia - espaços em que - relembrando meia dúzia de semestres que há mil anos gastei como estudante de Direito - me exercito como blogueiro sem insenção e sem patrão.

O placar de 7 a 0 só não foi consagrado porque o juiz mandou parar a contagem quando ela chegou nos quatro, para preservar o corpo de jurados e preveni-los de algum descontrolado torcedor dos bandidos que jogaram a menina Isabella pela janela do sexto andar. Vá que a moda pegue e um fanático dessses que pululam por aí à cata de notoriedade resolva jogar sete jurados por sete janelas diferentes...

A minha pena foi mais branda do que os 31 anos e um mês de cadeia que aplicou no pai desnaturado e os 26 anos e oito meses que reservou para a madrasta empedernida. Calculei em no máximo 20 anos para os dois, talvez porque não me deixei levar pela voz rouca das ruas, nem pelo imbecil que se atou numa cruz de papelão às portas do Foro; muito menos pelo truculento que acertou as canelas de Roberto Podval, o advogado de defesa do par indefensável.

Quanto aos cálculos de que dentro de cinco ou seis anos os matadores da garota já estarão na rua, quase bateram: especialistas garantem que em menos de três anos Jatobá gozará das regalias de um bom regime semiaberto e que Nardoni terá as mesmas vantagens, em caso de bom comportamento.

Resta saber se os outros presos deixarão que eles se comportem, pois assim que se esgotarem os recursos e apelações de sentença, eles não mais ficarão em celas individuais como até aqui.

E, como se sabe, bandido não gosta de bandido que mata criancinha. Já tem xerife de cadeia mandando a turma do artesanato interno confeccionar anéis de barbante.

RODAPÉ - A pena imposta aos réus não é o que os redime - cadeia no Brasil não reeduca, nem reabilita. A sentença apenas transmite um pouco de paz à sociedade. É a comprovação legal da autoria do crime. Surge daí o sentimento de que a justiça é possível. A mãe de Isabella vive hoje a paz que lhe toca da justiça humana, incapaz, no entanto, de lhe trazer a filha de volta.