23 de abr de 2010

Quatro Anos de Impunidade

Há exatamente 11 dias deixou de ser comemorada a data do quarto aniversário da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, sobre o escândalo do mensalão. Ele denunciou, em 11 de abril de 2006, 40 "pessoas não comuns" ao STF (Supremo Tribunal Federal). O processo decorreu dos resultados da CPI dos Correios.

A folhas tantas, do processo em que dizia que o mensalão foi ação de organização criminosa ele escrevia e assinava embaixo:  "Os denunciados operacionalizaram desvio de recursos públicos, concessões de benefícios indevidos a particulares em troca de dinheiro e compra de apoio político, condutas que caracterizam os crimes de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas."

Ele destacava no início da acusação os 20 mais públicos e notórios envolvidos no esquema: Zé Dirceu, Luiz Gushiken, Zé Genoino, Delúbio Soares, Silvio Pereira, Marcos Valério, João Paulo Cunha, Pedro Corrêa, Zé Janene, Valdemar Costa Neto, Professor Luizinho, João Magno, Anderson Adauto, Duda Mendonça, Zé Borba, Carlos Rodrigues, Zilmar Fernandes da Silveira, Simone Vasconcelos, Henrique Pizzolato e Roberto Jefferson.

Para o procurador Antonio Fernando de Souza os denunciados "mantinham um intenso mecanismo de lavagem de dinheiro com a omissão dos órgãos de controle, uma vez que possuíam o apoio político, administrativo e operacional de Zé Dirceu, que integrava o governo e a cúpula do Partido dos Trabalhadores".

E a respeito de Zé Dirceu, o denunciante foi explícito: "É certo que José Dirceu, então ocupante da importante chefia da Casa Civil, em razão da força política e administrativa de que era detentor, competindo-lhe a decisão final sobre a indicação de cargos e funções estratégicas na administração pública federal, foi o principal articulador dessa engrenagem, garantindo-lhe a habitualidade e o sucesso".

Pois é bem assim. Lá se foram quatro anos e Ali Babá e os 40 Mensaleiros continuam por aí, livres, leves, soltos, ao mais amplo gozo do sol da liberdade.

Alguns até tem blogs de onde tentam se firmar como formadores de opinião, exalando ares da dignidade que nunca tiveram como zeladores da coisa pública.

Quando os "retratos do momento" não espelham a imagem que eles desejam, aí mesmo é que ficam mais aloprados. Só mais aloprados, não; mais perigosos do que sempre.