9 de ago de 2010

Deus já não é brasileiro

Lula da Silva que, ao conquistar o Palácio do Planalto já não era metalúrgico há muito tempo, precisou de apenas oito anos, um pouco menos, para dar ao Brasil a elite bem do jeito que ele quer e gosta.

Pegou o saco sem fundos de votos que representavam a democracia e, assim que pode, botou em prática no lugar de um programa de governo, o seu plano de poder.

À medida em que exercitava, com enorme desenvoltura, a sua "estratégia de coalizão pela governabilidade" - eufemismo lulático para a descarada onda de negociações ao mais puro estilo das promessas de compra e venda - foi se adonando do país como um todo.

Nuncanessepaís um presidente civil foi tão ministro da Guerra quanto Lula conseguiu fazer-se no seio das Forças Armadas. O Exército, a Marinha, a Aeronáutica sabem hoje muito bem o seu lugar. E quem é quem na hora do deixa pra lá que aqui ninguém pega pra capá.

Ninguém sabe muito bem, quantos pijamas foram trocados até hoje por insones portadores de carteirinhas de conselheiros de estatais. Vida de conselheiro cansa. As Forças ficam meio sonâmbulas de tanta labuta.

O Legislativo é o que é. Vai à la gaita. Abre e fecha como uma incomensurável sanfona e ninguém sabe que ritmo está tocando. Não tem alma, não tem coração, não tem vida. Só vivos. Se parasse de tocar, faria um grande favor. Seria um alívio. A Casa do Povo é do Polvo.

O Judiciário está cercado. Quando não é de problemas, é de sedes espelhadas. Espelhadas na grandeza de quem não tem tempo para refletir os anseios de justiça de quem paga a conta de sua enormidade irrefletida. O custo tem respaldo na banca daquele que tem a chave do cofre nas mãos.

O mesmo dono, se faz proprietário também dos organismos de defesa da população: organizações não governamentais só sobrevivem com dinheiro do governo; movimentos populares, sem teto, sem terra, sem trabalho, sem reforma urbana e nem agrária, se alimentam comendo pela mão que balança o berço da nação, deitada e esplêndida.

E como faz com os organismos de defesa, faz também com as organizações do crime, da arte, da manha do lazer popular, PCC, CV, siglas manjadas de movimento sem isso e sem aquilo, de esportes, do trabalho, do transporte dos partidos políticos de aluguel, facções de todo tipo e feitio.

O crime, a contravenção, a transgressão cansaram de pagar multa e pedágio, agora querem ser cobradores; querem governar. Estaão conseguindo. Os que ainda não são doutores, passam em vestibulares, concursos públicos fraudados, são terceirizados, tem carteirinha de aliado.

As igrejas, as seitas, os templos de crendice e loteamento de céus, terras e mares rezam pela sua cartilha e correm o chapéu a cada missa, a cada culto, a cada oculto e distraído.

O jornalismo foi sendo envolvido de forma gradual, permanente e irrestrita pelos tentáculos tentadores das verbas publicitárias legais; a informação foi derrubada da torre do 4° Poder pela maquiagem da propaganda oficial, irmã gêmea do marketing desenferado que custa os tubos e os olhos da cara de tudo que leva o sufixo Bras e que o diabo carrega para o in/consciente coletivo.

Se você duvida, participe do próximo encontro do Confecom - Conselho Federal de Comunicação, invencionice de Franklin Martins e seus apóstolos do Presideus que não vai sossegar enquanto não controlar a liberdade de credo, pensamento e expressão.

O plano de poder deixou o Brasil desalmado. O espírito brasileiro é de porco. O exemplo de levar vantagem em tudo; de ser mais esperto do que a esperteza desossou o Brasil. A nação é invertebrada, como um grande ou diminuto polvo.

Faz bem à vida nacional ser aliado dessa Gandaiabras que mal disfarça os primeiros passos para a grande caminhada rumo à consolidação da democratura.

Essa mesma Gandaiabras que se esbalda em cartões corporativos de crédito do governo. Essa Gandaiabras que só neste ano de eleições já torrou quase R$ 5 milhões em compras e gastos secretos, como tapioca, plásticas, varizes, estrias, vinhos, camisinhas - sabe-se lá o quê mais - sem nenhuma necessidade de comprovação, de prestação de contas.

Não é nada, não é nada, faça as contas: R$ 5 milhões comportam dentro deles nada menos de 50 mil salários mínimos de um trabalhador brasileiro do tipo auxiliar de metalúrgico. Divida isso por 12 meses e você terá registrado em carteira de trabalho 42 suados anos de batalha. Pronto! O governo Lula é um pai: você já pode se aposentar. O governo é um pai e tem tudo para logo ali ser mãe.

Lula deixará como herança para o seu sucessor, além de uma dívida de mais de R$ 90 bilhões, um emprego para cada brasileiro que, nem precisará fazer concurso, bastará apresentar a carteirinha de aliado do partido que ele estiver presidindo com honra, como hoje - não se sabe por quanto tempo - Lula vem presidindo o PT.

E o povo trabalhará, altaneiro e feliz como pensa que é, pelo bem do partidão que - robusto e cada vez mais forte - abrigará a todos como um grande pai, um grande irmão e, quem sabe até, uma grande mãe.

Lula anda aos abraços e queijos com ditadores do mundo inteiro a troco de quê?!?

É amigo do peito, irmão, camarada, companheiro bom e batuta de Muar Khadafi, de Mahmoud Ahmadinejad, de Fidel e Raúl Castro, de Evo Morales, de Hugo Chávez e outros genéricos e similares que se perpetuam no poder, a troco de nada?!?

É com eles que Lula toma os ares de Grande Mediador dos Conflitos do Mundo. Ele descobriu que é o Cara, que é o Homem e que pode comprar e domesticar cães fiéis, distribuindo-lhes pequenas rações em forma de bondades que nos custam os olhos da cara e nos desmancham a coluna vertebral.

Esses desastres silenciosos, esses fenômenos ruminantes que acontecem em menos de uma década, levam séculos para desaparecer.

Seus formadores, seus núcleos básicos, seus epicentros se vão e deixam as nódoas, as dores, as manchas dos seus caprichos que, de quando em quando, para quem acredita no paraíso que esses tiranos prometem, tira Deus da paciência de tal forma que Ele chega ao ponto de mandar um dilúvio só para ver se a gente aprende. Ou então deixa Nero incendiar Roma, para não falar em Sodoma e Gomorra, embora já se tenha tantos Haitís aqui dentro do Brasil.

Nessa hora, quando Deus, o Criador, o Grande Arquiteto do Universo, o Pai Nosso Todo Poderoso fica brabo, perde a paciência e não tem mais jeito. Ele não se deixa corromper. Ele não tem preço. Não se deixa comprar.

Sei lá, mas a gente está sentindo pelo ar que há muito tempo Deus já não é mais brasileiro.